Domingo, 5 de Março de 2006

Boneca

BONECA.JPG

Apareceste

No meu recanto
Por detrás dos fetos.

A tristeza do teu olhar
Dilacerou o meu coração.
A rude mente humana
Retirou-te alegria e esperança
E lançou-te para o abismo.

Alimentei o teu magro corpo
Com comida, calor
e carinho.
Caminhei contigo,
mostrei-te os secretos
e mágicos recantos
da montanha
que me recebeu como um filho.

Chorei de felicidade
ao ver o brilho do teu olhar
que ressuscitou novamente
alegria e a esperança
quase inexistente.

Alimentaste o meu coração
com a tua divina e fiel amizade
carinho e alegria.

As circunstâncias da vida
que me impediam de te ter
levaram-te para longe.
Um novo lar,
uma nova esperança.


Naquele momento
foi imenso
o teu desespero.
Lutaste no objectivo
de te libertares da trela
que te prendia.
O teu olhar começou a perder o brilho
e na humildade que te caracteriza
deitaste-te, e fechaste os olhos
como sinal de profunda dor.


A tempestade da separação
atingiu como um raio
o meu coração
e fez chover lágrimas
como se de uma esponja tratasse
apertada já
pela saudade.

Um ano depois
soube que tinhas morrido.
Quis o destino
que a tua curta vida
acabasse triste.
Mas se Deus existe
tu eras
e serás
eternamente
o meu anjo

Hórus

publicado por Hórus às 18:04
link do post
De Anónimo a 10 de Março de 2006 às 15:46
Dizem que os animais não tem alma, mas seja o que for que tenham é sem dúvida algo que nos conforta e completa.Quantas vezes um simples olhar ou um gesto de carinho dum animal conseguiu alterar o rumo duma vida ou até suplantar os efeitos benéficos da medicina! Observem-se as diferenças entre um idoso solitário e um idoso que tem um animal de companhia...
Certamente que esse pequeno ser se sentirá agora mais feliz por saber que apesar da sua efémera e atormentada existência conseguiu deixar boas recordações tão bem descritas no teu magnífico texto!Sardinha
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(mailto:Chafarica_033@hotmail.com)


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